A relação entre álcool, desempenho profissional e saúde mental nunca esteve tão em evidência quanto agora. À medida que a Geração Z se consolida como parte essencial da força de trabalho e caminha para se tornar maioria nas empresas, um comportamento chama a atenção de pesquisadores, gestores e até da indústria de bebidas: esses jovens consomem menos álcool e evitam excessos que comprometem o rendimento no dia seguinte.
Diferentemente dos millennials, conhecidos por uma cultura mais permissiva em relação a festas longas e consumo frequente de bebidas alcoólicas, a nova geração demonstra uma postura mais estratégica. Para eles, produtividade, clareza mental e bem-estar valem mais do que uma noite de exageros.
Diversos estudos já comprovaram o que muitos profissionais sentem na prática: a ressaca prejudica diretamente a produtividade.
Dores de cabeça, fadiga, dificuldade de concentração e lentidão cognitiva afetam tarefas simples e decisões complexas. Entre os jovens da Geração Z, essa relação é cada vez mais clara e é conscientemente evitada.
Um fenômeno que ganhou destaque nos últimos anos é a chamada “hangansiedade”, termo usado para descrever a ansiedade associada à ressaca, marcada por culpa, preocupação excessiva e queda de autoconfiança.
Esse estado emocional, além de desconfortável, compromete entregas, relações profissionais e desempenho intelectual.
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Ainda no fim dos anos 1990, um estudo clássico analisou a relação entre consumo de álcool e desempenho no ambiente corporativo.
Os pesquisadores cruzaram dados sobre frequência de embriaguez com relatos de problemas no trabalho, como atrasos, conflitos, erros e baixa produtividade.
O resultado foi direto: quanto maior o consumo de álcool, maior o número de problemas profissionais relatados. Bebedores moderados a pesados apresentaram desempenho significativamente inferior quando comparados a pessoas que bebiam pouco ou raramente.
O próprio estudo recomendava que as empresas adotassem políticas claras sobre álcool, além de programas educativos para conscientizar os funcionários sobre os impactos do consumo excessivo no trabalho — uma discussão que se mostra ainda mais atual décadas depois.
Outro fator decisivo para a mudança de comportamento da Geração Z é o cenário atual do mercado de trabalho. Pesquisas recentes indicam níveis recordes de estresse, ansiedade e insegurança econômica, especialmente entre jovens adultos.
O chamado “medo de segunda-feira” evoluiu para algo mais profundo: um ciclo constante de pressão, medo de perder oportunidades (FOMO) e cobrança por desempenho. Nesse contexto, a ressaca deixa de ser tolerável — ela se torna um obstáculo real à sobrevivência profissional.
Dados de 2025 mostram que a ansiedade pós-consumo de álcool passou a ser amplamente reconhecida, levando muitos jovens a reduzir ou eliminar a bebida como forma de autocuidado e preservação emocional.
Há ainda um elemento que diferencia fortemente a Geração Z dos millennials: a consciência sobre a reputação digital. Crescendo em um mundo onde tudo pode ser gravado, compartilhado e eternizado online, esses jovens evitam situações que possam gerar registros comprometedores.
Enquanto os millennials usavam redes sociais como Facebook para compartilhar fotos de festas sem grandes preocupações, a Geração Z entende que um vídeo fora de contexto pode impactar carreiras, relacionamentos e oportunidades futuras.
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Longe de ser um comportamento moralista ou conservador, a redução do consumo de álcool entre os jovens representa uma estratégia racional e adaptativa.
A Geração Z percebeu que clareza mental, energia e estabilidade emocional são ativos valiosos em um mercado cada vez mais competitivo.
Ao evitar a ressaca, eles não apenas protegem a saúde, mas também ganham produtividade, foco e controle sobre a própria imagem. Uma escolha silenciosa, porém poderosa, que pode redefinir a cultura profissional nos próximos anos.
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