A busca por alternativas ao açúcar comum ganhou um novo e promissor capítulo. Após mais de um século de tentativas frustradas da ciência e da indústria alimentícia, pesquisadores anunciaram um avanço que pode transformar a forma como consumimos doçura no dia a dia.
Um estudo recente publicado na revista científica Cell Reports Physical Science revela o desenvolvimento de um ingrediente com sabor muito semelhante ao açúcar tradicional, mas com menos riscos à saúde, abrindo caminho para uma nova geração de adoçantes naturais.
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O consumo excessivo de açúcar refinado está diretamente associado a problemas como obesidade, cáries dentárias, resistência à insulina e diabetes tipo 2.
Apesar disso, encontrar um substituto que reproduza fielmente o sabor, a textura e o comportamento do açúcar na culinária sempre foi um grande desafio.
A maioria dos adoçantes disponíveis no mercado falha em pelo menos um desses pontos, seja pelo gosto residual, pela incapacidade de caramelizar ou por impactos metabólicos indesejados. É nesse contexto que a tagatose surge como uma alternativa altamente promissora.
A tagatose é um açúcar naturalmente presente em pequenas quantidades em alimentos como leite, derivados lácteos e frutas como maçã, laranja e abacaxi.
No entanto, sua concentração nesses produtos é extremamente baixa, geralmente inferior a 0,2%, o que sempre tornou sua extração industrial cara e pouco eficiente.
Apesar disso, do ponto de vista nutricional, a tagatose apresenta características notáveis: possui cerca de 92% da doçura da sacarose, mas com aproximadamente 60% menos calorias, além de provocar um impacto significativamente menor nos níveis de glicose e insulina no sangue.
Pesquisadores da Universidade Tufts, nos Estados Unidos, desenvolveram um processo biossintético inovador capaz de produzir tagatose de forma mais eficiente e economicamente viável.
Para isso, a equipe utilizou técnicas avançadas de engenharia genética, transformando a bactéria Escherichia coli em uma verdadeira “fábrica microscópica”.
O método envolve a introdução de enzimas específicas que convertem glicose, uma matéria-prima abundante e barata, em galactose e, posteriormente, em tagatose.
O grande diferencial está na identificação de uma enzima encontrada em um tipo de bolor, capaz de reverter uma via biológica natural, algo que antes não era possível.
Com essa abordagem, o rendimento do processo alcançou impressionantes 95%, superando com folga os métodos tradicionais, que variavam entre 40% e 77%.
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Classificada pela agência reguladora americana FDA como “geralmente reconhecida como segura”, a tagatose apresenta vantagens importantes para a saúde metabólica.
Estudos clínicos indicam que seu consumo provoca apenas elevações mínimas nos níveis de glicose e insulina, tornando-a uma opção potencialmente segura para pessoas com diabetes ou que buscam controlar o peso.
Além disso, há evidências de que a tagatose não favorece o crescimento das bactérias responsáveis pelas cáries, contribuindo para a saúde bucal. Pesquisas iniciais também sugerem possíveis efeitos probióticos, tanto na cavidade oral quanto no intestino.
Outro ponto que torna a tagatose especialmente atraente é seu desempenho culinário. Diferente de muitos adoçantes artificiais, ela doura quando aquecida, carameliza e reproduz textura e sabor muito semelhantes ao açúcar comum, características essenciais para panificação e confeitaria.
Segundo os cientistas envolvidos, a nova técnica não apenas viabiliza a produção de tagatose em larga escala, como também pode ser adaptada para a síntese de outros açúcares raros, com potencial para revolucionar o mercado de alimentos e bebidas.
Se confirmados os resultados em escala industrial, esse avanço pode representar uma mudança significativa na forma como a doçura é incorporada à alimentação moderna, conciliando prazer, tecnologia e saúde.
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