Milhões de brasileiros carregam no nome um elo com a Itália — uma herança que, até recentemente, podia abrir caminho para a cidadania europeia. No entanto, uma mudança nas regras promovida pelo governo italiano pode alterar significativamente esse cenário.
A nacionalidade italiana, que historicamente segue o princípio do jus sanguinis (direito de sangue), permitia que descendentes de imigrantes solicitassem a cidadania sem limite de gerações. Bastava comprovar o vínculo com um ancestral nascido na Itália após 17 de março de 1861. Agora, essa possibilidade foi restringida.
Aprovado em 28 de março, o novo decreto estipula que apenas filhos ou netos de italianos nascidos na Itália poderão receber a cidadania automaticamente.
A medida visa conter o aumento no número de pedidos, especialmente vindos da América do Sul, e coibir o que o governo chama de “comercialização” do passaporte europeu.
Com isso, milhares de brasileiros, mesmo com sobrenomes de origem italiana e vínculos familiares legítimos, podem perder o direito ao reconhecimento.
A nova regra exige que, para ter direito, ao menos um dos pais ou avós tenha nascido em solo italiano.
Os sobrenomes italianos têm origens que remontam ao período pré-romano, quando já se utilizavam nomes adicionais para indicar filiação ou pertencimento a tribos e famílias.
Com o tempo, e especialmente após a formação de Roma, esses nomes passaram a identificar características como profissão, local de origem ou traços físicos.
Durante a Idade Média, com o fortalecimento das estruturas sociais, os sobrenomes voltaram a ser usados e passaram a ser herdados — principalmente pelo lado paterno. Muitas vezes, os nomes traziam referências à cidade de origem da família, como “Romano” (de Roma), ou a profissões tradicionais, como “Ferrari”, que vem de “ferreiro”.
A imigração italiana ao Brasil ganhou força entre os séculos XIX e XX. Estima-se que cerca de 30 milhões de brasileiros tenham algum grau de descendência italiana, muitos deles com sobrenomes que carregam essa herança no dia a dia.
Entre os mais comuns estão:
A lista inclui ainda nomes como Barbieri, Moretti, Lombardi, Costa e Galli, todos amplamente encontrados em cartórios e registros civis brasileiros.
Ter um desses sobrenomes, no entanto, não é garantia de direito à cidadania — é preciso comprovar a linha de descendência e atender aos critérios atualizados da legislação italiana.
A decisão do governo italiano impacta diretamente milhares de brasileiros que planejavam iniciar o processo de reconhecimento da cidadania. Embora muitos mantenham laços culturais e familiares com a Itália, sem o nascimento de um dos pais ou avós em território italiano, o caminho ficará mais restrito.
Essa mudança reforça ainda mais a importância da busca por documentação e da verificação detalhada da árvore genealógica antes de iniciar o processo.
Para os que se enquadram nas novas regras, a cidadania ainda representa uma porta de entrada para estudar, trabalhar ou viver legalmente na União Europeia.
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